DEMÊNCIA COM CORPOS DE LEWY (DCL): UMA REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE AVANÇOS E DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO E MANEJO CLÍNICO
DOI:
https://doi.org/10.24980/aficf.v16i16.6956Palavras-chave:
demência com corpos de Lewy, diagnóstico, terapêutica, biomarcadores, revisão integrativaResumo
Introdução: A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é a segunda causa mais comum de demência neurodegenerativa, caracterizada por flutuações cognitivas, alucinações visuais, parkinsonismo e Transtorno Comportamental do Sono REM. Sua sobreposição clínica com outras demências, especialmente a Doença de Alzheimer (DA), resulta em diagnósticos tardios ou incorretos, comprometendo o prognóstico e o manejo terapêutico. Objetivo: Realizar uma revisão integrativa da literatura para sintetizar as evidências atuais sobre avanços e desafios no diagnóstico, fisiopatologia, manejo clínico e impacto da DCL na perspectiva do paciente e cuidador. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa conduzida conforme o referencial de Whittemore e Knafl (2005) e as diretrizes PRISMA 2020. A busca foi realizada no PubMed (janeiro/2015–junho/2025), utilizando descritores relacionados à DCL, diagnóstico, biomarcadores e manejo clínico. Foram incluídos estudos empíricos e revisões sistemáticas com foco específico na DCL. Após triagem rigorosa por revisores independentes, 15 estudos foram selecionados para análise temática. Resultados: O biomarcador α-syn SAA demonstrou sensibilidade e especificidade superiores a 95% e, em conjunto com o DaTSCAN, permitindo um diagnóstico precoce e diferencial robusto frente à DA. Fisiopatologicamente, a coexistência de patologia amiloide/tau acelera a atrofia hipocampal, agravando o comprometimento cognitivo. Terapeuticamente, inibidores da colinesterase (IChEs) mostraram benefício modesto em sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos, enquanto intervenções não farmacológicas carecem de evidências robustas. Estudos revelaram alta taxa de conversão para demência (55% em 3 anos), mortalidade elevada e significativa dissonância entre prioridades médicas e necessidades de pacientes/cuidadores, especialmente quanto a disfunção autonômica e distúrbios do sono. Conclusão: Há uma assimetria marcante entre os avanços diagnósticos e a estagnação terapêutica na DCL. A tradução do conhecimento científico em cuidado clínico eficaz, acessível e centrado no paciente representa o principal desafio atual. Recomenda-se maior alinhamento entre clínicos, pacientes e cuidadores, além de investimento em ensaios clínicos com desfechos relevantes para a experiência vivida.
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