A PATOLOGIZAÇÃO DA VIDA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO SOFRIMENTO MEDICALIZADO
DOI:
https://doi.org/10.24980/aficf.v16i16.7070Palavras-chave:
medicalização, patologização, sofrimento, biopoder, psicofármacosResumo
Introdução: A medicalização da vida tem se intensificado nas últimas décadas, transformando experiências humanas comuns, como luto, tristeza e dificuldades escolares, em diagnósticos médicos tratados predominantemente com psicofármacos. Esse fenômeno resulta na patologização do sofrimento e reduz a complexidade da existência a explicações biológicas, obscurecendo fatores sociais e culturais. Objetivo: Este estudo tem como objetivo elucidar criticamente a medicalização da vida, suas implicações sociais, educacionais e políticas, bem como refletir sobre a relação entre biopoder, indústria farmacêutica e controle social, e apontar estratégias para demonstrar o sofrimento como parte da experiência humana. Metodologia: A metodologia utilizada foi uma revisão bibliográfica, com busca de artigos nas bases de dados PubMed e BVS, abrangendo publicações dos últimos 10 anos (2015 a 2025). Foram incluídos estudos que abordam a medicalização da vida, o uso de psicofármacos em saúde mental, a patologização da infância no contexto educacional e as implicações sociais e políticas relacionadas ao biopoder e à indústria farmacêutica. Resultados: Os achados indicam que a medicalização da vida se manifesta em três dimensões principais: na saúde mental, pelo uso exacerbado de psicofármacos em situações não patológicas; na educação, pela transformação de comportamentos infantis típicos em transtornos clínicos; e no controle social, pela mercantilização do sofrimento humano e ampliação de diagnósticos. Essas dimensões, analizadas sob a ótica foucaultiana, demonstram uma forma de biopoder, na qual a indústria farmacêutica assume papel central ao promover a dependência química e simbólica de medicamentos. Como alternativa, verificou-se que práticas psicossociais, políticas inclusivas e abordagens comunitárias parecem reconhecer o sofrimento como parte constitutiva da vida. Conclusão: Conclui-se que a medicalização da vida é um fenômeno político sustentado por interesses econômicos, exigindo práticas críticas que resgatem a autonomia dos sujeitos e valorizem a pluralidade da experiência humana.
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