ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DE ANTISSÉPTICOS BUCAIS E EXTRATOS DE PLANTAS SOBRE STREPTOCOCCUS MUTANS

Autores

  • Deysiane Pereira ALVES Universidade Brasil - UB
  • Glisely Andrea Bonfim SANTOS Universidade Brasil - UB
  • Elena Carla Batista MENDES Centro Universitário de Santa Fé do Sul - Unifunec https://orcid.org/0000-0001-9471-8301
  • Carmem Costa MARTINS Centro Universitário de Santa Fé do Sul - Unifunec
  • Dora Inés KOZUSNY-ANDREANI Universidade Brasil - UB

DOI:

https://doi.org/10.24980/ucsb.v4i7.4035

Palavras-chave:

Bactéria cariogênica, Antimicrobianos naturais, Enxaguatórios

Resumo

Objetivou-se neste estudo avaliar a eficácia de antissépticos bucais utilizados rotineiramente e extratos etanólicos de plantas do Cerrado no controle in vitro de Streptococcus mutans. A eficiência foi avaliada frente à cepa padrão Streptococcus mutans ATCC 25175. Para obtenção dos extratos etanólicos foram empregadas folhas de Schinus terebinthifolius, Hymenaea stigonocarpa, Stryphnodendron adstringens,Dipteryx alata, Tabebuia chrysotricha, Tabebuia roseo-alba, Genipa americana e Caryocar brasiliense. Os inóculos foram preparados em meio BHI, incubados a 37o por 24 horas, em condições microerofila. Os testes de eficiência foram realizados pelo método de microdiluição. Suspensões bacterianas foram preparadas em solução de NaCl (0,5%) e ajustadas para 106 UFC mL-1. A concentração inibitória mínima (CIM) foi considerada como a menor concentração do extrato ou do antisséptico capaz de inibir o desenvolvimento bacteriano. Para determinação da concentração bactericida mínima (CBM) foram transferidos 100µL de cada poço e se inocularam em meio TSA, incubados a 37o C por 24h. Verificou-se atividade antibacteriana da maioria dos extratos nas concentrações entre 25 e 50%, exceto o de ipê amarelo que apresentou CIM e CBM de 12,5%. Os antissépticos das marcas 2, 3, 5 e 6 apresentaram CIM e CBM de 100%, a marca 4 de 50% e a marca 1 de 25%. A sobrevivência de S. mutans em contato com a marca 1 (25%) foi de 20 minutos, com os extratos e os demais antissépticos foi de entre 12 e 24 horas. Os extratos de plantas medicinais apresentaram eficiência semelhante aos antissépticos no controle de Streptococcus mutans, evidenciando a possibilidade de sua utilização no controle e tratamento dessas bactérias, porém ainda não é uma prática adotada rotineiramente na odontologia.

 

MOUTHWASH SOLUTIONS AND PLANT EXTRACT ANTIBACTERIAL ACTIVITY AGAINST STREPTOCOCCUS MUTANS

 

ABSTRACT

This paper aims at evaluating the regular use of mouthwash solutions and ethanol extract from Cerrado plants efficacy in vitro control of Streptococcus mutans. Efficiency was evaluated against the standard strain of Streptococcus mutans ATCC 25175. In order to obtain the ethanolic extracts, leaves of Schinus terebinthifolius, Hymenaea stigonocarpa, Stryphnodendron adstringens,Dipteryx alata, Tabebuia chrysotricha, Tabebuia roseo-alba, Genipa americana and Caryocar brasiliense were used. The inoculants were prepared in BHI medium, incubated at 37oC for 24 hours, under microerophyll conditions. The efficiency tests were performed using the microdilution method. Bacterial suspensions were prepared in NaCl solution (0.5%) and adjusted to 106 CFU mL-1. The minimum inhibitory concentration (MIC) was considered to be the lowest concentration of the extract or antiseptic capable of inhibiting bacterial growth. As to determine the minimum bactericidal concentration (CBM), 100µL of each well was inoculated in TSA medium, incubated at 37oC for 24h. Antibacterial activity of most extracts was found at concentrations between 25 and 50%, except for Tabebuia chrysotricha which showed MIC and CBM of 12.5%. Mouthwash solutions from brands 2, 3, 5 and 6 showed MIC and CBM of 100%, brand 4 of 50% and brand 1 of 25%. The survival of S. mutans in contact with brand 1 (25%) was 20 minutes, with the extracts and other mouthwashes between 12 and 24 hours. The extracts of medicinal plants showed efficiency similar to antiseptics in the control of Streptococcus mutans, showing the possibility of their use for controlling and for the treatment of those bacteria, however, it is not yet a routine practice in dentistry.

 

Descriptors: Streptococcus mutans, medicinal plants, mouthwash.

Referências

Kunte S, Kadam N, Patel A, Shah P, Lodaya R, Lakde L. Comparative evaluation of antimicrobial properties of pomegranate peel extract against Streptococcus mutans and Lactobacillus- An In Vitro Study. Int Dent Med J Adv Res.2018, 4: 1–6

Kutsch VK, Young DA. New directions in the etiology of dental caries disease. J Calif Dent Assoc. 2011,39: 716–721. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22132583/

Burne RA, Zeng L, Ahn SJ, Palmer SR, Liu Y, Lefebure T, Stanhope MJ, Nascimento MM. Progress dissecting the oral microbiome in caries and health. Adv Dent Res. 2012,24: 77–80. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22899685/

Ojeda-Garcés JC, Oviedo-García E, Salas LA. Streptococcus mutans and dental caries. Rev. CES Odontol. 2013, 26(1):44-56.

Ito S, Misaki T, Naka, SK, Nagasawa Y, Nomura R, Otsugu M, Matsumoto-Nakano M. Specific strains of Streptococcus mutans, a pathogen of dental caries, in the tonsils, are associated with IgA nephropathy. Sci Rep. 2019,9: 1-12.

Pasquantonio G, Condo S, Cerroni L, Bikiqu L, Nicoletti M, Prenna M, Ripa M. Antibacterial activity of various antibiotics against oral streptococci solated in the oral cavity. Int J Immunopathol Pharmacol. 2012, 25(3): 805-809.

Devi A, Singh V, Bhatt AB. Antibiotic sensitivity pattern of Streptococcus against commercially available drugs & comparison with extract of Punica granatum.Int. J. Phar. Bio Sci. 2011, 2(2):1-6

Anjan, G, Nagesh LD, Sapna B. Evaluation of antimicrobial potential of 10% ginger extract against Streptococcus mutans,Candida albicans and Enterococcus faecalis – an in-vitro study.Int. J. Sc. Inn. Discov. 2012, 2(1): 260-265.

Pereira C, Moreno CS, Carvalho C. Usos farmacológicos do Stryphnodendron adstringens (Mar.) – barbatimão. Rev. Panor. On-Line. 2013, (15): 127 - 137.

Ishwori l, Talukdar AD, Singh PK, Dutta Choudhury M, Nath D. Antimicrobial activity of some select plants traditionally used as medicinal in Manipur. African J. Biotech. 2014, 13(13):1491-1495.

Alves PM, Queiroz LMG, Pereira JV, Pereira MSV. Atividade antimicrobiana, antiaderente e antifúngica in vitro de plantas medicinais brasileiras sobre microrganismos do biofilme dental e cepas do gênero Candida.Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 2009,42(2):222-224.

Patra JK, Kim ES, Oh K, Kim HJ, Dhaka LR, Kim Y, Baek KH. Bactericidal Effect of Extracts and Metabolites of Robinia pseudoacacia L. on Streptococcus mutansand Porphyromonas gingivalis Causing Dental Plaque and Periodontal Inflammatory Diseases. Molecules. 2015, 20: 6128-6139.

Santos VR, Gomes RT, Oliveira RR, Cortés ME, Brandão MGL. Susceptibility of oral pathogenic microorganisms to aqueous and ethanolic extracts of Stryphnodendron adstringens (barbatimão). Int J Dent, 2009, 8(1):1-5.

Oliveira JR, Castro VC, Vilela PGF, Camargo SEA, Carvalho CAL, Jorge AOC, Oliveira LD. Cytotoxicity of Brazilian plant extracts against oral microorganisms of interest to dentistry. BMC Complement. Alternat. Med. 2013, 13(208):1-7.

Carvalho MG, Melo AGN, Aragão CFS, Raffin FN, Moura TFAL.Schinus terebinthifolius Raddi: chemical composition, biological properties and toxicity.Rev. Bras. Pl. Med., 2013, 15(1):158-169.

Lins R, Vasconcelos FHP, Leite RB, Coelho-Soares RS, Barbosa DN. Avaliação clínica de bochechos com extratos de Aroeira (Schinus terebinthifolius) e Camomila (Matricaria recutita L.) sobre a placa bacteriana e a gengivite.Rev. Bras. Pl. Med., 2013, 15(1):112-120.

Machado AC, Oliveira RC. Medicamentos Fitoterápicos na odontologia: evidências e perspectivas sobre o uso da aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva Allemão). Rev. Bras. Pl. Med., 2014, 16(2):283-289.

Soares SP, VInhola AHC, Casemiro LA, Silva MLA, Cunha WR, Martins CHG. Atividade antibacteriana do extrato hidroalcoólico bruto de Stryphnodendron adstringens sobre microrganismos da cárie dental. Rev. Odonto Ciênc., 2008; 23(2):141-144.

Araújo CRF, Pereira JV, Pereira MSV, Alves PM, Higino JS, Martins AB. Concentração mínima bactericida do extrato do cajueiro sobre bactérias do biofilme dental. Pesq. Bras. Odontoped. Clín. Integrada, 2009, 9(2):187-191.

CLSI publication M100-S23 Suggested Grouping of US-FDA Approved Antimicrobial Agents That Should Be Considered for Routine Testing and Reporting on Non fastidious Organisms by Clinical Laboratories, 2013.

Sforcin JM, Fernandes JRA, Lopes CAM, Bankova V, Funari,SC. Seasonal effect on Brazilian própolis antibacterial activity. J Ethnopharm. 2000, 73: 243-249.

Addy M. O uso de anti-sépticos na terapia periodontal. In: LINDHE, J. Tratado deperiodontia. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p.450-477.

Moreira ACA, Santos TAM, Carneiro MC, Porto MR. Atividade de um enxaguatório bucal com clorexidina a 0,12% sobre a microbiota sacarolítica da saliva. Rev. Ci. Méd. Biol., 2008, 7(3): 266-272.

Gossell-Williams M, Simon OR, West ME. The past and presente use of plants for medicines. West Indian Med J., 2006;55:217-218.

Rocha EALSS, Carvalho AVOR, Andrade SRA,Trovão DMMB, MedeiroS ACD, Costa EMMB. Atividade Antimicrobiana “In Vitro” de Extratos Hidroalcoólicos de Plantas Medicinais do Nordeste Brasileiro em Bactérias do Gênero Streptococcus. Pesq Bras Odontoped Clin Integr , 2013, 13(3):233-238.

Mandava K, Batchu UR, Kakulavaram S, et al. Design and study of anticaries effect of different medicinal plants against S.mutans glucosyltransferase. BMC Complement Altern Med. 2019. 19: 197-202.

?ener B, Kiliç, M. Herb-al Extracts Used in Dental Disorders. Biomed J Sci Tech Res. 2019, 19: 1-8.

BRASIL. Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006. Diário Oficial da União – Seção l nº119. Poder Executivo. DF. Sexta-feira, 23 de junho de 2006.

Downloads

Publicado

2021-04-19

Como Citar

ALVES, D. P. ., SANTOS, G. A. B. ., MENDES, E. C. B., MARTINS, C. C. ., & KOZUSNY-ANDREANI, D. I. . (2021). ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DE ANTISSÉPTICOS BUCAIS E EXTRATOS DE PLANTAS SOBRE STREPTOCOCCUS MUTANS. UNIFUNEC CIÊNCIAS DA SAÚDE E BIOLÓGICAS, 4(7), 1–10. https://doi.org/10.24980/ucsb.v4i7.4035

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)